
Diversidade em Pauta: Sucesso total nas Paralimpíadas!
O Brasil, levando 280 atletas, atingiu seu recorde de medalhas na história de uma edição de Jogos Paralímpicos: 89 pódios em Paris 2024, superando os 72 conquistados nos jogos Rio 2016 e em Tóquio 2020. Foram 25 medalhas de ouro, 26 de prata e 38 de bronze. Com isso, o país se consolida entre as cinco maiores potências em Jogos Paralímpicos.
E se o critério de classificação fosse um conjunto de maior quantidade de ouros e maior número de medalhas, teríamos ficado em 4o lugar, na frente da Holanda, vejam o quadro:

Mas, buscando mostrar à vocês o lado humano de cada um dos atletas, quero contar a história de três atletas (apesar de termos muito mais que três atletas brasileiros que mereceriam esse destaque):
A halterofilista carioca Tayana Medeiros levantou 156 quilos e conquistou o ouro da categoria até 86 quilos nos Jogos Paralímpicos de Paris, com direito a recorde paralímpico.
Tayana é nascida e criada no Morro da Fé, uma das favelas do Complexo da Penha, no Rio. Ela nasceu com uma doença chamada artrogripose, que comprometeu o movimento de suas pernas. Conheceu o halterofilismo depois de um evento da modalidade antes dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 e se apaixonou pelo esporte.
Na primeira série ela levantou 137kg, segundo maior peso da rodada. Na segunda série ela levantou 142kg, mas ainda não seria o suficiente para liderar a disputa. Na terceira tentativa ela levantou 147kg, garantindo a prata. Sua maior concorrente, uma chinesa, levantou 160kg, mas pela regra, teve o levantamento invalidado. Foi então que Tayana decidiu levantar 156kg e conseguiu! Ouro e recorde paralímpico para ela!
O momento que ela comemora o ouro é uma imagem muito linda! Seu treinador a abraça em seguida, com extrema alegria e reconhecimento pelo feito!
E o nadador Gabrielzinho (Gabriel Araújo) que "amassou" (como ele mesmo afirmou), com três ouros? Maravilhoso, não é mesmo? Ele tem apenas 22 anos... e muitas Paralimpíadas pela frente para nos alegrar com sua dança, alegria e carisma!
Ele foi tão soberano em sua classe S2* que, mesmo na prova em que competiu juntamente com nadadores da S3*, nos 150m medley, ele atingiu o recorde mundial da S2, com 3:14.02, terminando na quarta posição.
- S2/SB1: Nadadores com membros inferiores, mãos e tronco afetados, com problemas de coordenação. Nesta classe os nadadores utilizam essencialmente a força dos braços para nadar; S3/SB2: Nadadores com amputações de braços e pernas, mas capazes de realizar o movimento de braçada.
Gabriel Geraldo dos Santos Araújo é um nadador paraolímpico brasileiro, nascido em Minas Gerais, que se inseriu no mundo dos esportes pelos Jogos Escolares de Minas Gerais (JEMG).
Os Jogos Escolares de Minas Gerais são uma competição esportiva que acontece entre as escolas públicas e particulares dos municípios de Minas Gerais. Essas olimpíadas fazem parte do projeto Minas Esporte do Governo do Estado, e são realizadas em parceria com a secretaria de estado de educação. Legal, não? Ótima iniciativa do governo de MG!
Gabriel nasceu com a condição chamada de focomelia, a qual compromete o desenvolvimento natural de braços e pernas. Mesmo assim, ele ingressou na natação, sem o consentimento dos pais e já na sua primeira competição ganhou três ouros!
"Não estou nadando, estou voando", comentou Gabrielzinho ao Sportv.
E meu terceiro destaque vai para a corredora Jerusa Geber, do Acre, que, aos 42 anos de idade, vive o ápice de sua carreira esportiva, conquistando duas medalhas de ouro, nos 100 metros e nos 200 metros classe T11 (destinada a deficientes visuais).
Jerusa nasceu totalmente cega. Ao longo da vida, fez algumas cirurgias que possibilitaram que ela enxergasse um pouco, mas aos 18 anos voltou a perder totalmente a visão. Conheceu o esporte paralímpico aos 19 anos a convite de um amigo também deficiente visual. Em 2019, Jerusa se tornou a primeira atleta cega a correr os 100m abaixo dos 12s. É a atual recordista mundial nos 100m pela classe T11 com o tempo de 11s83.
E vejam que interessante! Este na foto é o velocista Gabriel Garcia, que fez história nos Jogos de Paris. Pela primeira vez, um homem brasileiro disputou as Olimpíadas e as Paralimpíadas no mesmo ano. O paulista representou o país nos 4x100m masculino nas Olimpíadas e foi o guia de Jerusa Geber, na conquista do ouro paralímpico!
No tênis de mesa esse feito também foi conseguido pela atleta Bruna Alexandre, ela foi a primeira atleta paralímpica a participar de uma Olimpíada, mas não ganhou medalha nas Olimpíadas. Mas nas Paralimpíadas, Bruna terminou com duas medalhas de bronze (uma individual e outra em duplas femininas)!
Foram muitos os atletas brasileiros que se destacaram! Escrevo muito brevemente sobre alguns deles:
Carol Santiago, nadadora da classe SB12 (para atletas com baixa visão) ganhou 5 medalhas! Foi a atleta com mais medalhas: duas de ouro e três pratas, sendo uma prata ganha no revezamento 4x100m.
A porta-bandeira na Cerimônia de Abertura, Beth Gomes, faturou duas medalhas no mesmo dia, no lançamento do disco F53 (ouro) e no arremesso do peso F54 (prata).
Alana Maldonado foi uma das judocas a ouvir o Hino Nacional, e pela segunda vez consecutiva, já que havia vencido também em Tóquio 2020, no peso 70kg da classe J2.
Petrúcio Ferreira, corredor, também deixou a sua marca, ganhando pela terceira vez consecutiva os 100m da classe T47, em jogos paralímpicos.
Petrúcio sofreu um acidente com uma máquina de moer capim aos dois anos e perdeu parte do braço esquerdo, abaixo do cotovelo. O paraibano gostava de jogar futsal e sempre foi muito rápido, e a velocidade chamou a atenção de um treinador!
Na canoagem tivemos uma dobradinha, ouro e prata! As medalhas vieram nos 200m da classe VL2 (os atletas usam tronco e braços na remada). Fernando Rufino conquistou o bicampeonato com o tempo de 50s47, melhor tempo registrado em uma edição das Paralimpíadas e Igor Tofalini levou a prata com o tempo de 51s78, apenas 3 centésimos mais rápido do que o terceiro colocado!
Enfim, foram muitas histórias dignas de serem contatas e espalhadas, como exemplos de pessoas que seguiram seus sonhos e que se dedicaram totalmente aos esportes. Isso só confirma que pessoas com deficiência podem ter suas dificuldades, mas são capazes de muitos feitos e realizações! Parabéns a todos!
Uma pena que as Paralimpíadas não atraem tantos olhares quanto as Olimpíadas, mesmo com um desempenho muito melhor. Foram 20 medalhas Olímpicas contra 89 Paralímpicas! Mas, cada vez aumenta mais a audiência... Vamos prestigiar mais nossos atletas guerreiros! Espero que tenham gostado e até o próximo artigo!
#diversidadeempauta #pcd
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